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Setembro Amarelo: como a literatura pode ajudar crianças a reconhecer emoções…

Medo, tristeza, ansiedade, frustração e mudanças na família também fazem parte do universo infantil — mas nem sempre as crianças conseguem encontrar palavras para explicar o que estão sentindo. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e valorização da vida, a conversa sobre saúde emocional pode começar desde cedo, inclusive por meio da literatura.
Para a escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, os livros podem funcionar como uma ponte entre crianças e adultos. Ao acompanhar personagens que enfrentam medos, conflitos ou situações difíceis, meninos e meninas podem reconhecer sentimentos e encontrar uma maneira mais segura de falar sobre aquilo que estão vivendo.
Falar sobre o que acontece com um personagem pode ser mais fácil do que falar sobre si mesma”, explica Clara. Segundo ela, uma história pode ser o ponto de partida para que o adulto pergunte o que a criança achou daquela situação, se já passou por algo parecido ou como se sentiria no lugar do personagem.
A leitura também pode contribuir para mostrar que: “pedir ajuda não é sinal de fraqueza“.

Literatura como espaço de escuta

A leitura compartilhada entre pais e filhos pode criar naturalmente momentos de diálogo. Um personagem, uma ilustração ou determinada situação da narrativa pode ser suficiente para iniciar uma conversa sobre sentimentos, sem transformar o momento em uma aula ou interrogatório.
A obra parte de uma pergunta aparentemente simples — o que faz uma casa ser uma casa? — para construir uma narrativa sobre memória, identidade, família e pertencimento. Mais do que paredes e janelas, a casa apresentada no livro é formada pelas pessoas, histórias, cheiros, sons e lembranças que fazem alguém se sentir acolhido.
Os livros não substituem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas podem contribuir para criar ambientes em que crianças se sintam mais à vontade para reconhecer emoções, fazer perguntas e falar sobre aquilo que sentem. Afinal, muitas vezes, uma história não oferece uma resposta pronta — mas pode ajudar a começar uma conversa.//Thiago Paleari <[email protected]>

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